O Wally era fácil! Última chamada para a volta pelo mundo! Levo mochila, máquina fotográfica, moleskine e muita vontade de conhecer pessoas e viver experiências únicas! Anda daí...vamos viajar juntos!
domingo, 10 de novembro de 2013
AWT#86: Inle Lake
É um dos cartões postal deste maravilhoso país e também a capa da "bíblia" (expressão recorrentemente usada para referir o Lonely Planet). O Inle Lake é um oásis no estado Shan que serve de sustento, direta ou indiretamente, às inúmeras populações ribeirinhas.
sábado, 9 de novembro de 2013
AWT#85: Milho, malaguetas e...papoilas
O trilho sinuoso e de relevo montanhoso que liga Kalaw a In Dein proporciona uma paisagem fantástica. Percorremos terrenos baldios de agricultores, cruzamos pastos verdes que fazem as delícias dos búfalos e bois que neles pastam e atravessamos quintais onde se secam grãos de milho, grãos de arroz e malaguetas antes de entrarem nas rotas comerciais. Cerca de 70% da população vive no interior e depende da agricultura.
Em muitíssimo menor número que em Bagan, vamos cruzando um ou outro mosteiro budista que acolhe os jovens para o período de retiro. Aos sete anos de idade, os Pais com possibilidades enviam os filhos para estes locais de culto e ensino despojados de tudo excepto alguns itens como chapéu de chuva, pote de oferendas e pouco mais. Numa base diária e num regime de rodízio, as várias famílias da comunidade levam comida e oferendas aos monges.
Pernoitamos num destes mosteiros, que, apesar das grandioso apenas acolhe um único monge e doente por sinal. Mas a "soirée" prometia muito mais que o silêncio do local de culto... Uma das muitas proibições que subsiste aos dias de hoje é a visita de estrangeiros a casas de nativos. De forma algo sigilosa, e totalmente ilegal, levaram-nos a uma delas. As dificuldades no diálogo com a família, a prova de batatas fritas e cacahuetes, culminando com a experiência do produto acabado das papoilas formaram uma experiência que, sem sombra de dúvida, jamais irei esquecer!
Falando de "culturas agrícolas de alto rendimento".Mais a norte, na fronteira com a China, fica o "país dos wa", cuja capital é Monglá. Também conhecidos como cortadores de cabeças, estes não são mais que antigos guerrilheiros que, após os comunistas terem perdido o apoio de Pequim na luta contra o governo de Rangum (Yangon) se dedicaram à cultura do ópio sob o (des)interesse dos governos locais.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
AWT#84: A fotografia e eu
Uma das primeiras experiências que tive com a fotografia foi, aos 6 anos de idade, fazer uma reportagem integral das divisões lá de casa. Desde então ganhei um gosto enorme pela fotografia ainda que o jeito não tenha aumentado na mesma proporção! Para colmatar essa lacuna, escolhi uma namorada com imenso talento no tema (obrigatório ver www.alguresnomundo.wordpress.com).
No primeiro dos três dias de trekking para chegar a Inle Lake, decidi trocar a super flexível lente da minha Nikon D80, a 18-200 (3.5-5.6), por aquela que é, muito provavelmente, uma das melhores lentes para principiantes: a lente fixa de 50mm (1.8). Para um leigo, estágio do qual não estou longe, é uma lente muito simples em termos de espelhos e sem zoom. Aparentemente pouco prática, esta característica obriga-nos a ter um papel muito mais ativo na foto, uma vez que nos obriga a procurar o enquadramento ideal do que queremos perpetuar, andando para trás e para a frente!
Além de muito mais leve, permite brincar com jogos de luz e obter cores fantásticas. É caso para dizer que, mais uma vez, o menos é mais!
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
AWT#83: Igreja católica - uma agulha no palheiro
Ser cristão por estas paragens não deve ser fácil. A grande maioria da população é budista (89%) e as restantes religiões são minorias (estima-se que cristãos representem 4%). Apesar da constituição prever liberdade religiosa, na prática existem confrontos entre budistas e muçulmanos (motim violento em 2001), desencadeados principalmente por supostas "ofensas" de parte a parte.
Hoje passei por uma igreja católica e decidi entrar. Quase tão raro como encontrar um restaurante com comida ocidental (a maria já não pode ver caril de galinha à frente...), passar em frente a uma igreja católica despertou a minha curiosidade. Forrada a azulejos brancos por toda a parte e adornada com imagens de santos e os tradicionais painéis bíblicos, esta igreja era tudo menos acolhedora. Ainda assim, por incrível que pareça, senti-me mais perto de casa.
Budismo: Theravada vs Mahayana
Segundo aprendi existem muitas correntes de Budismo, mas todas elas são baseadas na história do príncipe indiano Siddhartha Gautama que há 2.500 anos atrás decidiu prescindir do conforto em prol de um voto de pobreza. Uma das mais relevantes por estas paragens, a Theravada distingue-se por não se centrar num, ou vários deuses, mas sim num conceito de foro psico-filosófico. Nesta corrente, acredita-se que as pessoas podem atingir o Nirvana de forma individual, ao contrário da corrente Mahayana, que defende que toda a humanidade deve estar pronta para a salvação. Entre as duas, na prática, a Theradava é a mais severa e restritiva para os praticantes.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
AWT#82: Mandalay
Capital de Myanmar de 1961 a 1985, Mandalay é a referência no capítulo cultural. Reza a história que o Buddha, ele próprio, andou por estas paragens e anteviu a importância desta cidade que, atualmente, é tão populosa quanto a grande Lisboa (aprox. 1M habitantes).
Conhecemos o Massimiliano e o Isaías e criámos uma expedição exploratória à rota dos templos (Shwe In Bin Kyaung e Mingun Paya) e às antigas capitais de Myanmar (Inwa, Amarapura, Sagaing). O "Max" é italiano mas é um autêntico "canivete suiço". Dá aulas de história de arte e é fotógrafo, mas é como bombeiro que consegue sustentar a paixão dele, i.e. ganhar dinheiro durante uns meses do ano para viajar nos restantes. Ganhei um ídolo! Isaías é um peruano de Arequipa, com traços de Jesus Cristo pelo cabelo e barba, que anda a explorar estas paragens "à deriva". Juntos passámos um dia repleto de gargalhadas na "Golden Land" (nome dado ao território de Myanmar no séc.III a.C.).
terça-feira, 5 de novembro de 2013
AWT#81: Viajar de barco
Apesar de custar quatro vezes mais que a viagem de ônibus, deixei que o meu instinto nos levasse a comprar bilhetes para o Malikha II, um dos barcos que ligam Bagan a Mandalay. Uma vez mais, em prol da modernidade, da celeridade e do comodismo, deixou-se de andar de barco. Virou coisa do passado e quase do tempo dos Descobrimentos! Recordo-me dos testemunhos que ouvi no Brasil, de netos de emigrantes portugueses, a contar sobre a viagem de 18 dias que os avós haviam feito para chegarem a Terra de Vera Cruz.
A viagem demora 10 horas mas são 10 horas muito prazerosas com livros, fotografias, e pensamentos vagos. Afinal o tempo não conta... O relógio está parado... E que bom que assim é!
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
AWT#80: On parle pas français mais on mange bien
Além da magia dos templos e da simpatia das pessoas, a gastronomia é, claramente, outro dos highlights de Myanmar. Para aliar esta experiência a algum sentido de poupança (princípio que achava praticar até conhecer a Maria) a receita é comer nos "fast-foods" à beira da estrada. Como dizia a Heloísa Bonfim (colega, amiga e mãe da princesa Chloe) é bom e barato! O cardápio é variado e equilibrado: caril de galinha, aparas de bamboo, missoshiro e molhos mil para misturar com o arroz - base de todos os pratos. À porta de um deles, encontrei esta frase: "on parle pas français mais on mange bien". E eu não poderia estar mais de acordo pois combinada com um cenário mágico e a companhia ideal...
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