domingo, 27 de outubro de 2013

AWT#72: Desligar... para ligar!

Há uns tempos atrás circulou pela nossas caixas de correio um filme marcante sobre a maior droga da nossa geração: informação! Intitulava-se "Disconnect to connect" e retratava situações do quotidiano em que, de tão ávidos que estamos de informação à distância, que acabamos por ignorar aquela que acontece ao nosso lado.

Desligar dos iPods, iPhones, celulares e outros gadgets não é fácil... mas é necessário! Quantas vezes o nosso interlocutor não nos corta a palavra para atender o telemóvel? Quantas vezes não interrompemos a conversa, à refeição, com alguém que liga em "horário nobre da Família"? Quantas vezes não apressamos alguém para tomar o café da manhã por causa de um horário de ônibus?

Hoje fui eu...apesar de estar de férias... dou por mim a correr para apanhar o ônibus que liga Ella a Mirissa Beach. Para chegar mais cedo... Para otimizar o tempo... Numa calma desconcertante, a Maria diz-me: "Se perdermos este, vamos no próximo..."

E assim foi, perdemos esse, e fomos no seguinte. No embarque para a viagem de 6 horas rumo ao sul, o motorista avisou-nos que não havia lugares. "Qual o problema? Vamos de pé!"



sábado, 26 de outubro de 2013

AWT#71: "Ella" e eles

Ella é uma aldeia charmosa na montanha à qual só chegam aventureiros. Fora das rotas turísticas devido ao difícil acesso, esta região oferece umas cachoeiras refrescantes e umas trilhas com vista incrível, nomeadamente a da subida ao "Mini Adams' Peak". Os poucos restaurantes que tem oferecem um ambiente muito acolhedor.


Uma constante em toda a estadia no Sri Lanka tem sido a simpatia e acolhimento deste povo. Basta esboçar um sorriso para receber outro em troca, gratuita e calorosamente. Acredito que um dos maiores "assets" deste povo é mesmo a simpatia do acolhimento... Apraz-me pensar que tenhamos tido alguma influência na génese!


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

AWT#70: Nuwara Eliya, Sri Lanka's Little England

Deve-se a um tal de Samuel Baker, em 1847, a ideia de introduzir agricultura ao estilo britânico por estas paragens. Entre muitos ensaios de culturas, nomeadamente café, viria a ser a o chá a mudar o cenário e a economia de Ceilão.  Com mais de 320.000ton por ano, o Sri Lanka é o quarto maior produtor mundial desta planta.

Na fábrica da Mackwoods, onde é processado o chá oriundo dos 1.400 ha da propriedade, aprendi que: o chá preto, verde e branco vêm da mesma planta, i.e. Camellia Sinensis; que desde que o chá é colhido até ser vendido num leilão em Colombo decorrem apenas 24 horas; que para fazer 1 kg de chá branco (o melhor), são precisos 17 kg de folhas (uma vez que apenas é utilizado o botão central!); e que o chá que compramos no supermercado (Lipton, etc) não é mais do que uma mistura (blending) de vários chás, oriundos de vários produtores.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

AWT#69: Sigiriya, the Lion Rock

Reza a história que, cerca de 3 séculos antes do nascimento de Cristo, alguns monges budistas se estabeleceram à volta deste gigantesco "calhau" iniciando as edificações.


Mais tarde, Kassapa, um dos filhos do Rei Dhatusena (455-473), construiu uma residência (que até piscina tinha!) no alto do rochedo de 200 metros, para se proteger do irmão que reclamava parte da herança do Pai. De nada lhe valeu pois no dia do confronto, o elefante no qual ia montado, amedrontou-se e bateu em retirada, tendo as suas tropas seguido o exemplo (size doesn't matter!!) Sigiriya voltaria, mais tarde, a ser ocupado pelos monges budistas.


Como local de culto, nesta região, encontramos o Rock Temple e o Golden Temple. Este último tem uma fachada que é um misto entre um shopping center e a Feira Popular, conforme podem ver pela fotografia.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

AWT#68: Kandy e a dentadura do Buddha

Kandy é uma cidade do interior que virou famosa pelo templo do dente do Buddha. Reza a história que este foi cremado na Índia em 543 a.c. mas que um dos seus dentes foi recuperado e chegou ao Sri Lanka escondido no cabelo de uma princesa orissa.
A estória tem mil e um adornos, sendo questionada por muitos, nomeadamente um tuga de seu nome Queirós que afirma ser um dente de búfalo e não da divindade! De búfalo, do Buddha ou de qualquer outra origem, a verdade é que o templo acolhe milhares de peregrinos para meditação. 
(Nota foto inferior esquerda: caminhar sobre as chamas foi a forma da princesa Sita provar ao marido Rama - rei indiano - a sua castidade. Esta façanha ainda hoje é relembrada nas danças locais)

Outro ponto turístico a visitar é o Peradeniya Botanical Gardens. Parte integrante da residência real dei Wicramabahu III, construída no séc. XIV, foi convertido em Jardim Botânico pelos ingleses em 1821 que aqui plantaram as primeiras plantas de chá. O meu sobrinho João Maria, recém ingressado em Biologia, iria ter "pano para mangas" para estudar este ecossistema"!





terça-feira, 22 de outubro de 2013

AWT#67: O Mundo do Agostinho

"O Mundo é um imenso livro do qual aqueles que nunca saem de casa lêem apenas a primeira página" (Agostinho de Hipona)

Já tinha lido esta frase várias vezes mas confesso que, à medida que viajo, ela ganha sistematicamente uma nova dimensão. É como se estivéssemos a ler um livro e, ao chegar ao final, nos apercebermos que a estória ganha novos capítulos.

(Foto: Skeleton Coast, Namíbia)



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

AWT#66: Nas nuvens... De Ceilão!!

2 meses de viagem já lá vão e o melhor ainda está para vir!

Após várias trocas de emails lá me encontrava à hora combinada com a colega da Maria. Qual não é a minha alegria e espanto quando vejo não uma estranha, mas a própria Maria!

Em tempos de crise e incerteza (profissional claro está pois a nível amoroso são apenas certezas!), despediu-se da agência em que trabalhava e meteu a mochila às costas para viajarmos juntos.

Gosto de gente com atitude e com garra para lutar pelos seus projetos e sonhos, sejam eles quais forem, quando forem e com quem forem!

Viajar sozinho é uma experiência incrível que recomendo a todos. A nossa atenção ao ambiente que nos rodeia e abertura aos outros têm tanto de inevitabilidade como enriquecimento. A partir de agora (viagem? vida?) será a dois... E estou radiante por isso! Poder dar a mão e partilhar o caminho com alguém tão especial é algo que me realiza profundamente.