domingo, 20 de outubro de 2013

AWT#65: Taprobana

"As armas e os barões assinalados
que, da ocidental praia Lusitana,
por mares nunca de antes navegados
passaram ainda além da Taprobana,
em perigos e guerras esforçados,
mais do que prometia a força humana,
e entre gente remota edificaram
novo reino, que tanto sublimaram" 
in Lusíadas, Luís de Camões

Taprobana, era assim que os gregos e os romanos, à semelhança do meu xará, se referiam à ilha de Ceilão. Quer tenha sido por religião (cristianismo e budismo), quer por jogos de poder (inglaterra e holanda), quer por disputa territorial (singaleses e tigres tâmil), apenas há quatro anos a paz visitou esta terra! Terminou nessa altura a guerra civil que durava há 26 anos entre o povo cingalês (governo) e o tâmil.

Os portugueses também por aqui andaram. Dom Lourenço de Almeida chegou em 1505 e, ao encontrar um território dividido em 7 reinos, foi coleccionando conquistas. Em 1517 fundou a capital Colombo.





sábado, 19 de outubro de 2013

AWT#64: Nairobi

Dom Francisco de Almeida iniciou a conquista do Kenya em1492 mas foi preciso pouco tempo até perdermos Mombasa (1505). A verdade é que o Quénia, pelos seus recursos e localização na "East Africa", foi permanente alvo de cobiça por parte das potências colonizadoras europeias até à Conferência de Berlim (1884-85), na qual os europeus partilharam o solo africano entre si. Uma vez parte da concessão "British East Africa Company" este território apenas viria a obter a sua independência dos britânicos em 1963, sob liderança de Kenyatta.

O "National Museum" é um acervo fantástico de toda a história do País e da cidade, cujos highlights são também o "Giraffe Centre", onde estive a dar amendoins às girafas, o "David Sheldrick Wildlife Trust" também conhecido como orfanato dos elefantes, e a fazenda da Karen Blixen, que virou vedeta após o seu livro "Out of Africa" ter sido lançado em Hollywood.

Com a atividade terrorista em shopping centers mais calma, no final do dia tive um happy-hour num deles, com umas alemãs que conheci em Livingstone (sim, estar sozinho, numa viagem destas, é um mito!)




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

AWT#63: App's de viajante

Isto de ser viajante também tem "ciência". E por isso deixo as minhas sugestões de "app's" a instalar antes de embarcarem na próxima viagem:
-Redicall: app tipo VoIP (voice over IP) com tarifas muito boas (obrigado Vasquinho ;)
-Blogger: viajar é bom...mas fazer os outros viajarem connosco é melhor ainda;
-Tripadvisor: dicas de guias turísticos são sempre questionáveis por isso nada melhor que testemunhos de outros viajantes;
-Skyscanner: uma plataforma ótima de busca de vôos (Kayak é alternativa). Pesquisar por aqui mas comprar diretamente no site da companhia aérea;
-TripIt: nada melhor para organizar o itinerário e ter todas as infos do transporte na palma da mão;
-Oanda: Lidar com 8 moedas diferentes, num espaço de 2 meses, e respectivas taxas de câmbio deixa de ser um problema;
-Hostelbookers: viajar ao "som" do vento sem reservas e procurar alojamento na estação de comboios de Kandy, interior do Sri Lanka, é fácil e simples (sem comissões);
-iXpenseIt: contabilidade online! Multi-currency, personalização de categorias e relatórios. Consigo dizer ao cêntimo quanto gastei (além de já me ter evitado de arrancar o escalpe a um japonês);


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

AWT#62: "Mr.BIG Syndrome"

Jeff é um inglês de 54 anos que se estabeleceu por Moshi ao casar com uma nativa. Na sala de espera para embarcar com destino a Nairobi conversamos sobre o modelo de negócio dos operadores turísticos:
LMB: "Jeff, existe alguma agência ou operador que trate os "porters" (os que carregam tudo pela montanha acima nas várias expedições)?
Jeff: Sofrem todos do Síndroma do Mr.BIG.
LMB: Conta-me lá os sinais...
Jeff: Começaram todos como "porters", progredindo para guias e, mais tarde, criando o seu próprio negócio. Melhoram a qualidade de vida comprando carro e casa. Mas a ambição desmesurada fá-los esquecer o passado e tratam o pessoal de forma desumana. Há agências que nem pagam salários pois sabem que os turistas dão gorjetas.
LMB: As autoridades nada fazem?
Jeff: Pertencem todos à mesma tribo e protegem-se. É inútil fazer queixas. A única iniciativa de valor está a ser liderada por uma americana, a Karen, fazendo um levantamento das empresas com alguma ética (ver kiliporters.org antes de reservar).

Entre outros temas, falou-me do risco ambiental ligado à exploração chinesa de petróleo no Lago Tanganyka, da sobre-exploração pesqueira no Lago Victoria visando a exportação para a Rússia e ainda da tanzanite, uma gema preciosa, de cor azulada, que é originária da região.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

AWT#61: Kilimanjaro expedition - Day 6

Herdei-a dos tempos de estudante do meu irmão Zé Manuel e tenciono passá-la a algum sobrinho ou filho que a continue a fazer passear por esse mundo fora. Hoje, repleta de bandeiras, vincos e reparos continua a ser uma companheira inseparável. "Eu ofereço-te uma nova, maior e mais recente" propunha a Maria Celeste a duas semanas da partida. A verdade é que se tornou mais que uma mera mochila. É hoje, simultaneamente, um amuleto de Família e um símbolo da pátria, com a bandeira Nacional que a Lena costurou.
A velhinha Monte Campo, modelo Peneda, tem mais de 20 anos e vai continuar a ser carregada cheia de orgulho.

Vamos a comprar marcas Portuguesas! O que é Nacional é bom!


terça-feira, 15 de outubro de 2013

AWT#60: Kilimanjaro expedition - Day 5

Acho que nunca me senti realmente nas nuvens tal como hoje. Mas foi tudo menos fácil.

Começámos a escalada final por volta da meia noite. Após um chá e umas bolachas a "cebola" estava equipada para o efeito. Digo cebola pois levava 4 camadas de roupas nas pernas e 6 outras no tronco e membros superiores. Tudo parecia perfeito. Porém, a falta de alimentação na véspera, as 3 horas de sono e a contínua dor de cabeça viriam a tornar as 6 horas de caminhada no escuro num sacrifício gigantesco. Descobri, claramente, um novo limiar de resistência física pessoal.

Chegámos, aproximadamente, ao mesmo tempo que o astro-rei, o que compunha um cenário perfeito para a fotografia: a luz, os quase 6 km de altitude, os glaciares, o manto imenso de nuvens que definia um "chão" apenas interrompido por um ou outro monte no horizonte. Mas tudo isto a uma temperatura de -18 graus Celsius o que, após tirar as luvas, fez com que as minhas mãos congelassem... Mas a tal ponto que não conseguia mexer os dedos e, consequentemente, disparar o obturador da máquina. Foi frustante! Tenho me contentar com a foto desfocada que o Josefath, meu guia, me tirou.




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

AWT#59: Kilimanjaro expedition - Day 4

No Perú chamavam-lhe "soroche". Não sei se por falta das folhas de coca mas a verdade é que, a partir dos 4.500 metros de altitude voltei a ter dores de cabeça. Varia de pessoa para pessoa, de acordo com o organismo de cada um, mas, de uma forma geral, apenas montanhistas recorrentes conseguem adaptar-se.

Apesar de ténue, os efeitos colaterais de perda de apetite e dificuldade em adormecer foram impiedosos!